quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

O último dia de tudo...


Quem me conhece de perto, sabe que não dou muita importância a "ano novo", data de meu aniversário, etc. Para mim, a única coisa que muda com o "ano novo", é o calendário em cima da mesa de trabalho, que este ano que vem, aliás, já tenho um bem bonito sobre a mesa. De resto é tudo tão simples como "um dia atrás do outro".

Dizem alguns que deve ser uma época para "fazer balanço", para avaliar as conquistas e aprender com os erros. Enfim, uma época para recomeços.

Estou de acordo com essa avaliação, porém, para mim, não é necessário uma dia específico para isso, pois todos os dias é dia de recomeçar e de fazer tudo novo, buscando, na medida do possível, viver o "agora"; o chamado "momento presente".

Mas tenho o respeito pela opinião de quem pensa diferente de mim e tampouco desvalorizo seus valores ou convicções, muito pelo contrário.

Por isso, que todos tenham um "feliz 2009", mas que tenham, acima de tudo, dias e dias de felicidade, seja em 2009, 2010, 2011...

Aproveito para agradecer pela companhia aqui no "Salada". Pelas opiniões, críticas, sugestões, apoios, etc.

Deixo-os com um poema de Carlos Drummond de Andrade, em minha opinião, o maior poeta brasileiro:

O último dia do ano
Não é o último dia do tempo.
Outros dias virão
E novas coxas e ventres te comunicarão o calor da vida.
Beijarás bocas, rasgarás papéis, farás viagens e tantas celebrações
de aniversário, formatura, promoção,
glória, doce morte com sinfonia e coral,
que o tempo ficará repleto e não ouvirás o clamor,
os irreparáveis uivosdo lobo, na solidão.

O último dia do temponão é o último dia de tudo.
Fica sempre uma franja de vida
onde se sentam dois homens.
Um homem e seu contrário,
uma mulher e seu pé,
um corpo e sua memória
um olho e seu brilho,
uma voz e seu eco,
e quem sabe até se Deus…

Recebe com simplicidade este presente do acaso.
Mereceste viver mais um ano.
Desejarias viver sempre e esgotar a borra dos séculos.
Teu pai morreu, teu avô também.
Em ti mesmo muita coisa já expirou, outras espreitam a morte,
mas estás vivo. Ainda uma vez estás vivo,
e de copo na mãoesperas amanhecer.


O recurso de se embriagar.
O recurso da dança e do grito,
o recurso da bola colorida,
o recurso de Kant e da poesia, todos eles… e nenhum resolve.

Surge a manhã de um novo ano.
As coisas estão limpas, ordenadas.
O corpo gasto renova-se em espuma.
Todos os sentidos alerta funcionam.
A boca está comendo vida.
A boca está entupida de vida.
a vida escorre da boca,lambuza as mãos, a calçada.
A vida é gorda, oleosa, mortal, sub-reptícia.

Recife - PE
Comentários
1 Comentários

1 comentários:

nina disse...

o.O ...
Não se arrependerás Agostinho!

De certa forma concordo...
Muitos acreditam que o ano novo é um recomeço, uma "segunda chance" (ou até centésima para alguns) em suas vidas.
Se não mudassem os calendários, pouca ou nenhuma diferença faria nas vidas das pessoas. Elas simplesmente seguiriam mais um dia de suas vidas.

É apenas uma "segurança" para os infelizes de que eles podem melhorar suas vidas se pularem as sete ondas ou fizerem simpatias...

Feliz Ano Novo ;)

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