terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Quem decide sobre minha vida?


Logo cedo pensei em escrever sobre o caso "Eluana Englaro", a italiana em coma há 17 anos, cujo pai decidiu-se pela sua eutanásia, afirmando, inclusive, que "aquela seria a vontade de sua filha".

O caso mobilizou opiniões mundo à fora e gerou disputa política na Itália, cada um evidentemente, menos preocupado com a vida da paciente e mais com suas posições diante de seus eleitorados. É o que se chama de "fogueira das vaidades".

Diante dessas situações-limites, como a decisão pela eutanásia quando a vítima sequer consegue manifestar sua opinião ou diante da opção pelo aborto, em minha opinião, o "crime dos crimes", pois é praticado contra um ser vivo que não tem o menor direito a defesa, há um mar de opiniões, algumas exacerbadas e apaixonadas. Deixo a minha, aqui.

Me coloco no lugar da Eluana. E se fosse comigo?

Acho que deveria ser essa a pergunta que cada um de nós devíamos fazer.

Se fosse comigo eu simplesmente não queria ser morto assim. Eu sou muito bem resolvido com a "senhora dona morte" (tem que ser tratada com respeito) e ela será bem-vinda, quando chegar o meu momento. Entretanto, ninguém tem o direito de tomar a decisão, por mim, de apressá-la. Não dou esse direito a ninguém. E ainda assim, se tomarem essa decisão por mim, considerarei que seria assassinado.

Acho que é especialmente nas situações de doença que podemos exercitar valores hoje tão colocados de lado pelo nosso secularismo, nosso materialismo, nossa moral conveniente: compaixão, amor, zelo, despreendimento, auto-conhecimento...

Deixo o espaço para opiniões!

Recomendo ainda, a leitura de um post sobre o mesmo assunto, no blog "Não se Envolva": http://naoseenvolva.blogspot.com/2009/02/medicos-que-matam.html


Recife - PE
Comentários
4 Comentários

4 comentários:

Ninguém envolvente disse...

Pois é um absurdo mesmo, eu fico indignada, como alguém que estudou mais de 8 anos para se tornar um médico, consegue dormir a noite sabendo que um de seus pacientes morreu de inanição e a culpa foi dele. Eutanásia é uma coisa que nunca vou entender, não entra na minha cabeça, como isso ainda pode acontecer.
Um abraço, obrigada pela honra de estar no seu post de hoje.

Silvia disse...

Vou repetir aqui, o que coloquei no blog da nossa querida Gi (gosto muito dela..rs

"Jamais deveríamos pensar em eutanásia. Deveríamos saber como tratar a depressão, a dor, a falta de ar dos pacientes terminais para que não quisessem morrer mais cedo porque a vida deles está muito ruim".

( Dr. Auro del Giglio é médico cancerologista, professor livre-docente de Oncologia na Faculdade de Medicina da Fundação ABC ( São Paulo/SP) e faz parte do corpo clínico do Hospital Sírio-Libanês (São Paulo/SP).

Raphael Rocha Lopes disse...

Agostinho, vou repetir aqui o que já comentei com a Ninguém Envolvente, respeitando, claro, as opiniões divergentes. Na realidade são duas simples perguntas:
- é justo fazer tanta gente (o próprio paciente e seus familiares e amigos) sofrer, física e psicologicamente, quando o médico se compromete, entre outras coisas, dar uma morte digna para as pessoas? e
- se essa pessoa estivesse em seu estado natural, não teria já morrido (considerando o seu comentário quando diz que a morte será bem vinda quando chegar o seu momento), sendo injusto ou imoral ficar postergando artificialmente sua vida?
Antes de ser apedrejado, quero dizer que não tenho as respostas. Pelo menos não definitivamente. São apenas questões a se pensar. Talvez um pouco mais pragmaticamente do que emocionalmente.

Nina disse...

Concordo com o Raphael...a coitada já estava em coma há 17 anos...

Fosse comigo, (espero nunca ter que passar por isso, assim como não desejo a ninguém) a morte já seria muito bem vinda no terceiro (se não antes) ano de coma.

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