segunda-feira, 16 de março de 2009

Carne de Sol



A partir de hoje, às segundas-feiras, dedicarei este espaço à Gastronomia, em especial à Cozinha Nordestina, salvo motivo de "força maior", com tal relevância, que justifique alguma postagem sobre outro tema. O objetivo primordial não será o de colocar receitas, mas sim de destacar os elementos que compõem essa Cozinha tão rica.

Aproveitando a ocasião de uma matéria publicada no JC Online, em texto de Flávia Gusmão, sobre a "Carne de Sol", apresento aos leitores essa delícia de nossa culinária.

"A confusão que muita gente (de fora) faz entre carne seca (ou charque) e carne de sol é até justificada. Ao menos no que diz respeito à sua manufatura. Ambas são resultado de um processo de salga, que tem como objetivo secá-la para conferir maior durabilidade.

O sabor, no entanto, mesmo para quem as prova pela primeira vez, é inconfundível. Ambas moram na memória gustativa e afetiva dos pernambucanos, ambas combinam perfeitamente bem com macaxeira, inhame e outros tubérculos, mas aí os caminhos começam a se separar.

A carne de charque leva muito mais sal em seu preparo e é empilhada em locais secos para que ocorra a desidradatação. Embora seja conhecida como “de sol”, esta outra é deixada preferencialmente num local semicoberto, com moderada incidência de sol e arejado, para que a secagem aconteça com rapidez, mas sem drenar completamente os sucos.

O resultado é que a carne de sol, além de menos salgada, oferece um interior mais úmido e macio, protegido pela crosta formada pela secagem. E é esta textura, muito próxima da carne fresca, que a torna tão especial.

Justamente porque necessita obrigatoriamente de um clima semi-árido para ser o que, legitimamente, é tem fabrico predominante nas regiões Norte e Nordeste do Brasil. Concebida numa época (seu primeiro registro no Brasil data do século 17) em que refrigeração era algo impensável, é de admirar que a carne de sol, em meio a tanta tecnologia, resista e continue a freqüentar as mesas dos lares e restaurantes.
Sua versatilidade, sua resistência (se conserva de 72 a 96 horas em temperatura ambiente), mas, principalmente, o seu sabor garantiram-lhe esta vitória."

Recife - PE
Comentários
1 Comentários

1 comentários:

Silvia disse...

Terei muito o que aprender por aqui...Tem um presentinho pra você no Longevidade... beijinho

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