terça-feira, 15 de setembro de 2009

Sinto Vergonha de mim!




Em tempos atuais, nada mais atual que um escrito de Ruy Barbosa, escrito em 1914, intitulado "Sinto Vergonha de Mim".

Este texto já foi publicado no "Salada" ainda nos tempos do terra e há mais de 03 anos é um texto que consta do perfil de minha página no Orkut, posto ali, na oportunidade, em protesto conta o "réu eleito" presidente do Brasil. Mas o texto "veste bem" inúmeros políiticos desse pais "sem-vergonha". Vamos a ele:


Sinto vergonha de mim
por ter sido educado e ser parte desse povo,
por ter batalhado sempre pela justiça, por compactuar com a honestidade,
por primar pela verdade
e por ver este povo já chamado varonil
enveredar pelo caminho da desonra.

Sinto vergonha de mim
por ter feito parte de uma era
que lutou pela democracia,
pela liberdade de ser
e ter que entregar aos meus filhos,
simples e abominavelmente,
a derrota das virtudes pelos vícios, a ausência da sensatez
no julgamento da verdade,
a negligência com a família,
célula-mater da sociedade,
a demasiada preocupação
com o "eu" feliz a qualquer custo,
buscando a tal "felicidade" em caminhos eivados de desrespeito
para com o seu próximo.

Tenho vergonha de mim
pela passividade em ouvir,
sem despejar meu verbo,
a tantas desculpas ditadas
pelo orgulho e vaidade,
a tanta falta de humildade
para reconhecer um erro cometido,
a tantos "floreios" para justificar
atos criminosos,
a tanta relutância em esquecer a antiga posição
de sempre "contestar",voltar atrás
e mudar o futuro.

Tenho vergonha de mim
pois faço parte de um povo que não reconheço,
enveredando por caminhos
que não quero percorrer...

Tenho vergonha da minha impotência,
da minha falta de garra,
das minhas desilusões
e do meu cansaço.

Não tenho para onde ir
pois amo este meu chão,
vibro ao ouvir meu Hino
e jamais usei a minha Bandeira para enxugar o meu suor
ou enrolar meu corpo na pecaminosa
manifestação de nacionalidade.

Ao lado da vergonha de mim,
tenho tanta pena de ti,
povo brasileiro!

De tanto ver triunfar as nulidades,
de tanto ver prosperar a desonra,
de tanto ver crescer a injustiça,
de tanto ver agigantarem- se os poderes
nas mãos dos maus,
o homem chega a desanimar da virtude,
A rir-se da honra,
a ter vergonha de ser honesto.


Recife - PE
Comentários
3 Comentários

3 comentários:

Renata!!! disse...

Bah Agostinho...amei cada frase!

Perfeito e doloroso!

"Tenho vergonha de mim
pois faço parte de um povo que não reconheço,
enveredando por caminhos
que não quero percorrer..."


Beijinhos

JOY disse...

Adorei..
Fazia um tempo que eu não pasava por aqui, li seus posts anteriores e como sempre ÓTIMOS, amei a dos animais!!

bjinhos

Drika disse...

Descobri seu blog ontem..e estou maravilhada com os textos...

"Ao lado da vergonha de mim,
tenho tanta pena de ti,
povo brasileiro!

De tanto ver triunfar as nulidades,
de tanto ver prosperar a desonra,
de tanto ver crescer a injustiça,
de tanto ver agigantarem- se os poderes
nas mãos dos maus,
o homem chega a desanimar da virtude,
A rir-se da honra,
a ter vergonha de ser honesto."

É exatamente assim que me sinto!!!

Como é bom saber que ainda existem pessoas que se sentem indignadas diante de tanta injustiça!
Parabéns!!

Drica

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