quarta-feira, 10 de março de 2010

O certo é ser certo - Não deixem de ler!


Ivaldo mora numa casa sem reboco, na periferia de Recife. É auxiliar de Serviços Gerais e vai para o trabalho de bicicleta. Ele trabalha no Aeroporto Internacional dos Guararapes, em Recife, onde exerce a função de faxineiro.

Eram 16h50 de segunda-feira quando Ivaldo Constantino da Silva Neto juntava, no 1º andar do terminal, alguns carrinhos usados para transportar malas. Ao passar pelo check-in da Gol avistou uma frasqueira perto dos telefones públicos. “Fiz o procedimento padrão: chamei a segurança e levei, junto com eles, o objeto até o setor de achados e perdidos.” Nem passou pela cabeça dele espiar o que havia dentro da valise Louis Vuitton, uma das marcas mais famosas do mundo. “Só vi que era fina, parecia ser cara”, lembra.

Ivaldo devolveu o equivalente a R$ 200 mil em joias a uma passageira que esqueceu uma frasqueira no Aeroporto Internacional do Recife. Se dependesse dele, o gesto de honestidade passaria despercebido – não comentou nem com a mãe. Mas a dona da maleta fez questão de divulgar um ato que considera cada vez mais raro.

A relações-públicas aposentada Luíza Maria Amorim de Carvalho, 60 anos, já corria esbaforida pelo saguão a buscar a frasqueira sumida. Minutos antes, ela havia feito check-in e depois dirigira-se até a área dos telefones públicos para ligar para uma cunhada, que tinha deixado o aeroporto há pouco tempo. “Estava nervosa porque ela foi me levar e acabei deixando o celular no carro dela. Procurei o orelhão para pedir que guardasse o telefone.”

Como estava sem cartão telefônico, a passageira seguiu até o balcão de informações e depois à livraria para comprar um. “Foi aí que percebi algo estranho, senti que faltava alguma coisa. Então me desesperei quando vi que era a bolsa”, narra Luíza. Dentro, anéis e brincos de brilhante, colar de pérolas verdadeiras e outras joias que trouxera do Rio de Janeiro, onde vive, para usar em uma festa de família no último sábado, na capital pernambucana.

Orientada a procurar o setor de achados e perdidos, a aposentada encontrou Ivaldo e Geliesse Dias, o encarregado do setor, registrando a entrada do objeto. “Ela estava suada, muito nervosa”, lembra o responsável pelo alívio. “Fiquei maravilhada, muito feliz por existir uma pessoa como ele. Vemos na televisão casos assim, mas nunca pensamos que isso pode acontecer conosco”, elogia Luíza.

Pelo gesto, Ivaldo levou R$ 50 para casa. “Não precisava. Tudo que acho, entrego ao achados e perdidos. É o normal, fazemos isso todo dia”, diz o funcionário, que admite nunca ter encontrado um bem tão valioso. “Daria mais de R$ 50, se tivesse naquela hora”, garante a dona da maleta, que ainda conseguiu embarcar para casa depois do incidente.

Colegas de Ivaldo chegaram a zombar, dizer que poderia ter aproveitado a chance de ficar com uma bolada. “Tem sempre gente que vem com esse tipo de comentário maldoso. Mas, como dona Luíza disse, sou honesto mesmo”, orgulha-se.

O auxiliar de serviços gerais que até oito meses atrás vivia de bicos quer mesmo é comprar uma motocicleta para ir de casa, no bairro do Jordão Alto, Zona Sul do Recife, até o trabalho no aeroporto. E, enquanto não passa num concurso público, seu maior sonho, vai continuar devolvendo objetos perdidos no saguão. Esperando, também, que um dia seu ato de decência não cause mais espanto.

O próprio presidente lula, em outra ocasião, diante de um honesto trabalhador que fez um gesto semelhante, também o taxou de bobo por não ter ficado com o que encontrara.

Só lamento que honestidade nesse país seja, ainda, a excessão e não a regra. Quando isso acontecer, fatos como o do Ivaldo deixarão de ser notícia de jornal e com certeza matemática, teremos, de fato, um país melhor, mais justo, com menos curruPTos.

Quem nos dera...



Foto e texto copiadas, em parte, do JC OnLine



Recife - PE
Comentários
2 Comentários

2 comentários:

Raphael Rocha Lopes disse...

Afinal, Agostinho, não existe jeito certo de fazer a coisa errada.

Ignoto Jardim disse...

Que ricaça mão de vaca, credo! Devia ter dado uma recompensa maior para o rapaz. Rico é mesmo egoísta.

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