quarta-feira, 14 de abril de 2010

Para a alma


Quando mais nada resistir que valha

A pena de viver e a dor de amar

E quando nada mais interessar

(Nem o torpor do sono que se espalha)


Quando pelo desuso da navalha

A barba livremente caminhar

E até Deus em silêncio se afastar

Deixando-te sozinho na batalha


A arquitetar na sombra a despedida

Deste mundo que te foi contraditório

Lembra-te que afinal te resta a vida


Com tudo que é insolvente e provisório

E de que ainda tens uma saída

Entrar no acaso e amar o transitório.



Carlos Pena Filho
A solidão e sua porta


Zurique - Suiça

Comentários
1 Comentários

1 comentários:

Karine smith disse...

Adoro ler coisas bonitas
Thanks for sharing :)

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