quarta-feira, 2 de junho de 2010

Justiça, ainda que tardia!!!



Não sou advogado e muito menos do meio jurídico, mas jamais ouvi falar, entre os países ditos democráticos e com suas instituições em funcionamento, sobre um processo criminal que fosse procrastinado por longos 21 anos.

Trata-se do crime praticado por José Ramos Lopes Neto, do assassinato de sua esposa Maristela Just e tentativa de assassinato de 2 filhos menores, à época com idades entre 2 e 5 anos e um cunhado, dentro da casa do pai da vítima, inconformado com a separação que já durava dois anos.

O assassino é filho de um conhecido advogado pernambucano, Gil Teobaldo, hoje levado ao Conselho de Ética da OAB-PE por uma declaração dada mês passado.

A postura de Gil Teobaldo a respeito do crime praticado pelo filho vem repercutindo desde o mês passado, quando ele deu uma entrevista à Rádio Jornal e afirmou que se José Ramos não tivesse matado Maristela Just – porque ela supostamente o chamou de corno, “ele não comia mais na minha mesa”.

Nesta madrugada, o assassino foi condenado a 79 anos de prisão, à revelia, pois nem ele e muito menos seu advogado de defesa, compareceram ao julgamento e foi declarado foragido.

Segundo o Jornal do Commércio, de Recife, "José Ramos Lopes Neto foi preso e autuado em flagrante no dia do crime. Ele ficou apenas um ano na cadeia. Acabou liberado por força de habeas corpus impetrado junto ao Superior Tribunal de Justiça. Em 21 anos de procrastinação do processo, a defesa de José Ramos Lopes Neto ajuizou seis recursos (dois deles no Superior Tribunal de Justiça e um no Supremo Tribunal Federal) e obrigou a Justiça a expedir 36 cartas precatórias (solicitação de oitiva de testemunhas fora da comarca original) com o objetivo de impedir que o feito chegasse ao júri."

"Os primeiros dois anos de instrução do julgamento do caso foram anulados por um recurso impetrado pela defesa. A segunda instrução levou dez anos para ser concluída após uma série de manobras jurídicas, como agravo de instrumento e agravo regimental para o Superior Tribunal de Justiça e recurso extraordinário para o Supremo Tribunal Federal.".

De fato, em nosso país, a justiça ainda "vem de charrete puxada por tartarugas".



Recife - PE
Comentários
1 Comentários

1 comentários:

Ignoto Jardim disse...

Também fiquei indignada com essa notícia. A lei brasileira é muito esquisita, um réu confesso que não paga por seus crimes, apenas pq pertence à classe mais abastada, é um vergonha sem tamanho. Não sou puxa-saco de americanos, mas lá artistas famosos vão presos pq não pagam imposto de renda, enquanto aqui...Basta ser famoso, jogador de futebol, filho de jogador famosos, tudo é desculpa. Cantor famoso tb pode espancar a mulher e ainda vira príncipe de cinderela. É o final dos tempos!

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