domingo, 10 de abril de 2011

Hoje é domingo, pé de cachimbo...



Abriu os braços... Jogou-se.
Os andares do prédio iam passando rapidamente e seus pensamentos também. Como num filme clichê, sua vida passava inteira a frente de seus olhos.
Todas as lembranças.
Todos os momentos vividos.
Todos os acertos. E os erros.
Fechou os olhos e tentou agarrar-se às boas lembranças.
Eram tantas.
Por mais que existissem maus momentos, esses se transformavam em flashes. As boas lembranças não. Essas se transformavam em um gosto bom de infância. Transformavam-se em um gosto doce. Em sua vista passavam gostos que ele nem se lembrava mais:
... o cheiro da mãe... uma dança que nunca houve... a vitória de uma corrida de obstáculos... o primeiro beijo... a textura da mão do primeiro amor... uma carta escrita à mão... um olhar deixado pra trás numa esquina qualquer... o sol entrando pela janela e aquecendo as pernas entrelaçadas numa manhã de inverno... o abraço no amigo depois de anos de saudades... o abraço no reveillon... o sorriso do recém nascido... o beijo na nuca... o poema escrito para alguém...
O baque surdo do impacto contra o chão cortou a linha de pensamento.
Uma sensação de formigamento tomou conta do corpo.
Não sentia nada. Ou quase nada.
Sentia sim, na boca, um gosto amargo.
Não era de sangue.
Não era da morte.
Não era de raiva.
Não era de ódio.
Não era de pena.
Era apenas um gosto amargo.
Um gosto amargo de perda.
Ausência.




Foto: Pessoa N Beat
br.olhares.com

Texto: Max Reinert
www.overmundo.com.br



Recife - PE
Comentários
1 Comentários

1 comentários:

Anônimo disse...

hoje e domingo,
pé de cachimbo.
cachimbo e de barro,
bate no touro.
o touro é valente,
bate na gente.
agente é fraco,
cai no buraco.
o buraco e fundo,
acabou-se o mundo.

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