sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

O amor vence tudo! - Fatos de uma vida real


Ao vê-lo passar discreto em seu caminhar sólido não se imaginava o gigante que tínhamos diante dos olhos, tampouco a batalha silenciosa que ele combatia pontual e corajosamente.

Durante dois anos, João Victor enfrentou, no auge de sua adolescência, aos 14 anos, um câncer no braço, com clareza, serenidade, amor e de forma objetiva e concreta. Desde seu diagnóstico não poupou os médicos: “terei de perder o meu braço?”, indagou. “Não sabemos ainda, somente o tempo dirá” , respondeu a sempre sincera equipe médica, percebendo que se tratava de paciente muito atento e desejoso de respostas francas.

Ao longo de sua batalha contra o câncer as perspectivas de seu tratamento foram se modificando. No inicio havia dúvida sobre a preservação de seu braço, que foi possível graças à excelente resposta inicial à quimioterapia que recebeu. Logo após houve o retorno da doença em seus pulmões, sendo necessária uma complexa cirurgia e mais tratamento com quimioterapia ainda mais intensa, o que o tirou do ano escolar.

Quando as coisas pareciam acalmar, eis que a doença retorna novamente, desta vez sendo necessário retirar todo seu pulmão esquerdo. “É possível viver sem um pulmão?”, indagou ele em meio à angústia e à confiança aos médicos. ”Sim, é possível, sobretudo para alguém de sua idade”. Sua entrega àqueles que representavam a vontade de Deus na equipe médica era sempre total e inquestionável. Mesmo o medo, a insegurança, a aflição naturais destes momentos, nada o fez recuar. Permaneceu firme quando precisou mudar-se temporariamente de cidade para receber tratamento rigoroso com cirurgia e radioterapia.

O mal que aparentava finalmente domado novamente mostrou toda a sua potência, quando foram descobertos pontos de metástases em seu outro pulmão e nos ossos, trazendo-lhe dores nunca antes imaginadas. Com decisão ele colocava-se de pé, de modo a encontrar seus amigos, estar em família, jogar videogame, tomar um sorvete, comer uma pizza. Seu silêncio gritava ao mundo o quanto valia a pena dar tudo para estar juntos e viver sempre em família. O aspecto cada vez mais frágil de seu corpo era o testemunho vivo e pulsante que tudo passa, somente o essencial fica.

O agravamento de sua condição foi aliviado por curtas internações, pois ele tinha pressa em sair do hospital e voltar a viver intensamente, uma vez que tinha plena consciência de que já não havia mais nada do ponto de vista médico que pudesse ajuda-lo na inglória batalha contra o câncer.

João Victor passou a última noite em claro, lutando para respirar com seu único pulmão, agora tomado por derrame na pleura. Ao seu lado, sua família acolhia as graças que brotavam deste mistério de dor e amor.

Ao perceber ser chegado seu momento de partida, e após receber a Eucaristia, ele chamou um a um, a começar por seus pais, e fez questão de agradecer por tudo, por cada oportunidade, retomando a respiração que já lhe custava. Todos foram envolvidos por uma atmosfera indescritível. Sim, o céu tocou a terra e levou para si um anjo muito corajoso. No hospital os corredores foram tomados por uma pequena multidão de jovens que por certo se contaminaram por esse silencioso e concreto estilo de vida, a vida que não passa.

No cemitério, as músicas nos davam um perfume de eternidade. Inúmeras e espontâneas manifestações de otimismo, amor, solidariedade, paz, serenidade nos ajudaram a antever como será no Paraíso. Vimos também como deixam um rastro de luz os “Santos de calça jeans” que João Paulo II conclamou ao mundo. Sim, ainda povoarão a terra!

João Vitorioso, essa terra não lhe cabe mais, dos Céus jogue o seu sorriso que nos contagiou sempre, em cada momento, sobretudo em sua mais amorosa despedida.


Texto de Nivaldo Vieira



Recife - PE

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