quinta-feira, 29 de março de 2012

O enterro da inteligência!


“A morte mata. É a função dela e ela a exerce. Ao contrário da vida. Não existe a expressão a vida vive. A morte me apavora. Não só a morte final. Também, e sempre, a morte diária, o resgate, o tento a tento do tempo que me deram de vida. A hora que passa. O instante que flui. Ah, já falei tanto sobre isso. Morro mas morre o mundo comigo. Que compensação!”
(Millor Fernandes)


Exatamente na semana em que se comemorou o "Dia do Circo", a senhora morte, que na semana passada havia nos levado Chico Anysio, leva Millor Fernades também. Dois "palhaços rebeldes" do "Circo de Horrores Brasil". Aqueles que, com suas ironias, fino e aguçado humor, ajudavam a "plebe rude" e sentir menos clamor e um pouco mais de esperança em sua condição de "pobres palhaços".

Morre com Millor, parte da "inteligência nacional". Sua lucidez e seu brilhantismo, farão falta e deixa uma lacuna que não se preencherá tão cedo, imagino.

Fiquemos agora com algumas frases célebres de Millor, para que nos ajudem a nos entendermos e nos dê a coragem necessária a sermos mais ativos em nosso papel enquanto cidadãos e enquanto "palhaços forçados" do "Circo Brasil":

Um recém-nascido é a prova de que a natureza ainda não desistiu do ser humano. Já os pró-aborto. Já os pró- eutanásia.
Bhundismo da semana: Menina, a caridade é mais importante do que a castidade. Dê para um desempregado.
Revelado: Aldo Rebelo é um comunista terceirizado.

Claro, sabemos muito bem que VOCÊ, aí de cima, não tem mais como evitar o nascimento e a morte. Mas não pode, pelo menos, melhorar um pouco o intervalo?
Deixa, eu explico: decisões tomadas por falta da memória coletiva, elaboradas no ventre dos conchavos, paridas na hora do oportunismo.
Anatomia é uma coisa que os homens também têm, mas que, nas mulheres, fica muito melhor.
De todas as taras sexuais, não existe nenhuma mais estranha do que a abstinência.
Internet. Aberta pro mundo, alheia ao que a faz.
Fiquem tranqüilos os poderosos que têm medo de nós: nenhum humorista atira pra matar.
O aumento da canalhice é o resultado da má distribuição de renda.
Nunca tantos deveram tanto a tão porcos.

Nunca ninguém perdeu dinheiro apostando na desonestidade.
À minha volta todos, sempre, reclamando de carga de imposto, do governo impostor, de bi tributação. Não entendo. Ainda reclamam. E se o governo resolver cobrar mesmo a TRIbutação?
E, como dizia o covarde romano: "Veni, Vidi, Pipi."


Gravura: Millor Fernandes


Recife - PE


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