terça-feira, 20 de março de 2012

Os deuses estão mortos


O Thor do Rio de Janeiro, não é um "deus nórdico", não empunha um martelo e tampouco é "filho de Odin, o principal deus da mitologia nórdica.

Mas o Thor do Rio de Janeiro é filho do Eike Batista, atualmente o homem mais rico do Brasil, com fortuna avaliada em US$ 27 bilhões, algo perto de R$ 50 bilhões. E isso, em certas instâncias do poder, vale mais do que ser um "deus nórdico".

O Thor atropelou um ciclista pobre e negro, com sua Mercedes, em circunstâncias até agora não esclarecidas. Porém a própria polícia do estado do Rio de Janeiro, tratou de colocar obscuridade sobre o caso, dando privilégios incompreensíveis, que, por si só, desequilibram a balança da isenção de uma apuração séria.

O carro, ao invés de ser recolhido pela própria polícia para perícia, foi liberado a pedido do advogado da família, que "prometeu" que não seria alterado em nada; consta que o rapaz apresentou-se numa delegacia onde submeteu-se ao teste do bafômetro, sem que fosse constatado consumo de álcool, mas ninguém viu-o fazendo o teste. O pai, que deve cumprir seu papel paternal de preservar o filho, mas não de encobrir a verdade, apressa-se a divulgar que o ciclista que é o culpado, quando testemunhas oculares insistem em afirmar que a vítima trafegava pelo acostamento quando foi atropelada numa ultrapassagem ilegal.

Afirma o empresário que "o ciclista entrou na pista como bala de revólver", sem levar em conta que ele trafegava numa mera e simples bicicleta, enquanto o seu filho, na verdade, era quem pilotava uma "bala de revólver", seja pela velocidade desenvolvida, seja pelo fato de correr o risco de matar alguém, o que acabou acontecendo.

O empresário é amigo pessoal e, sabe Deus, "sócio" do governador do Rio, Sérgio Cabral, que pode colocar sua polícia a favor do empresário. Seu dinheiro pode até mesmo comprar silêncios e mudar depoimentos de testemunhas. Pode até "dar um cala à boca" à família, seja através da intimidação, seja através de pagamentos.

Tudo isso mostra apenas o quanto estamos distantes de sermos um povo civilizado, onde prevaleça a justiça e a isenção do Estado na proteção aos seus cidadãos.


Recife - PE
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