segunda-feira, 23 de abril de 2012

Saias justas no mundo dos vinhos




Há situações que acontecem em nosso dia-a-dia que apesar de desagradáveis, às vezes, depois de passado o tempo, nos proporcionam boas risadas. Outras ainda têm o “poder” de garantir a risada imediata como uma boa, apesar de involuntária, piada.
Então esta semana vamos relatar alguns fatos desses, ligado aos vinhos. São pequenas histórias que vivi, que li por aí e que me foram contadas. Então vamos a elas:
- O vinho que não “enganchava” na garganta
Recebi essa historinha da leitora de nossa coluna, Marisa Nóbrega, da cidade de Campina Grande, na Paraíba. Marisa não é apreciadora de vinhos habitual, mas tem demonstrado interesse no consumo a partir da leitura da “Vinhos & Afins.
Semana passada, num supermercado de sua cidade, perguntou ao funcionário da sessão de vinhos, qual seria a diferença entre vinhos “seco” e “meio-seco”. E ouviu a seguinte explicação: - É porque o  meio seco é meio seco. Daí ela retrucou: - Não seria porque um é mais doce e o outro mais amargo? O funcionário, justificando o ditado que diz que “a emenda saiu pior que o soneto”, emendou: - É. Um engancha na garganta e o outro não. Entre risos diz a leitora que, no fim, optou pelo que “não enganchava na garganta”.
- A saga de tomar um vinho
Essa história aconteceu comigo no mês passado e até a contei em meu blog, o “Salada à Brasileira”. Estava durante o carnaval na cidade de Garanhuns, no interior de Pernambuco, onde participei como espectador, de um festival internacional de jazz que se realizava naqueles dias de carnaval.
Sentei-me em uma mesa e logo fui atendido por um garçom. Perguntei-lhe que vinhos ele tinha disponíveis. Daí ele começou a desfiar verbalmente sua "carta de vinhos", quando pedi-lhe que a trouxesse.
Entre os vinhos péssimos e ruins, havia uma boa oferta de vinhos medianos e optei por um português da região do Douro. Daí veio a parte mais cruel da história. Ele abriu o vinho e trouxe-me copos descartáveis para saboreá-lo. Perguntei se não havia taças disponíveis e ele afirmou que não. Na pior das hipóteses, lhe pedi que me trouxesse um copo de vidro. Voltou alguns minutos mais tarde, com outros copos descartáveis, dessa vez menores que os primeiros, que mais uma vez rejeitei e "ameacei" devolver o vinho. Daí, cheio de boa vontade, prontificou-se a conseguir um copo pequeno de se tomar cerveja, dizendo-me que teria ido ao restaurante onde trabalha, pegar o copo. Agradeci-lhe por seu esforço, mas ao cheirar o copo, veio às narinas um cheiro de copo gorduroso. Mas não tinha mais jeito e aquilo era o máximo que ele poderia fazer. Acabei, então, encarando e tomando o vinho. Sorte que o espetáculo encantador, valeu à pena qualquer sacrifício. No dia seguinte, levei minha própria taça.

- A diferença “geográfica”

Consta, que certa noite, muitos anos atrás, um homem entrou com a namorada no restaurante Lucas Carton, em Paris, e pediu uma garrafa de "Mouton Rothschild", safra de 1928. O sommelier, em vez de trazer a garrafa, para mostrar ao cliente, traz o decanter de cristal cheio de vinho e depois de uma mesura, serve um pouco no cálice para o cliente provar.

O cliente, lentamente, leva o cálice ao nariz para sentir os aromas, fecha os olhos e cheira o vinho. Inesperadamente franze a testa e, com expressão muito irritada, pousa o copo na mesa, comentando rispidamente: Isso aqui não é um Mouton de 1928 !!!

O sommelier assegura-lhe que é. O cliente insiste que não é. Estabelece-se uma discussão e, rapidamente, cerca de 20 pessoas rodeiam a mesa, incluindo o chef de cuisine e o gerente do hotel que tentam convencer o intransigente consumidor de que o vinho é mesmo um Mouton de 1928.

De repente, alguém resolve perguntar-lhe como sabe, com tanta certeza, que aquele vinho não é um Mouton de 1928.

O meu nome é Phillippe de Rothschild, diz o cliente, modestamente - e fui eu que fiz esse vinho.

Consternação geral.

O sommelier, então de cabeça baixa, dá um passo à frente, tosse, pigarreia, bagas de suor escorrem da testa e, por fim, admite que serviu na garrafa de decantação um Clerc Milon de 1928, mas explica seus motivos: Desculpe, mas não consegui suportar a ideia de servir a nossa última garrafa de Mouton 1928. De qualquer forma, a diferença é irrelevante. Afinal o senhor também é proprietário dos vinhedos de Clerc Milon, que ficam na mesma aldeia do Mouton. O solo é o mesmo, a vindima é feita na mesma época, a poda é a mesma, e o esmagamento das uvas se faz na mesma ocasião, o mosto resultante vai para barris absolutamente idênticos. Ambos os vinhos são engarrafados ao mesmo tempo. Pode-se afirmar que os vinhos são iguais, apenas com uma pequeníssima diferença geográfica.

Rothschild, então, com a discrição que sempre foi a sua marca, puxa o sommelier pelo braço e murmura-lhe ao ouvido: quando voltar para casa esta noite, peça à sua namorada para se despir completamente. Escolha duas regiões do corpo dela muito próximas uma da outra e faça um teste de olfato. Você perceberá a diferença que pode haver numa pequeníssima diferença geográfica!!!


Texto de minha autoria publicado
originalmente na coluna "Vinhos  & Afins", 
em 22/03/2012


Recife - PE
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