segunda-feira, 7 de maio de 2012

O que a rolha nos diz sobre o vinho


Devemos a Don Perignon, monge beneditino nascido na França em 1639 e morto em 1715, o uso da cortiça para a fabricação de rolhas. O monge é também o criador do método “champenoise” de fabricação de espumantes. Até então se utilizavam vários materiais para a vedação do vinho, entre eles crina de cavalo, estopa e pergaminho.   
As rolhas de cortiça são fabricadas à partir da casca do sobreiro, cultivada no sul da Europa, mas abundante em Portugal. Sua casca tem a espessura de uma rolha.
Uma rolha de má qualidade certamente comprometerá a qualidade do vinho, transmitindo-lhe o desagradável “sabor de rolha”, causado por parasitas, mofo ou até mesmo pelo cloro que é utilizado no alvejamento da cortiça. Nasce daí o hábito que têm os someliers, em cheirar a cortiça, antes de servir o vinho.
- Tipos de rolha
Cortiça – As feitas de cortiça são de dois tipos: as maciças e as de aglomerado. Podemos perceber a diferença entre elas, como percebemos entre um pedaço de madeira original e um aglomerado de madeira, daqueles usados em móveis populares. A maciça, como já percebemos, é de melhor qualidade e quanto mais longa, larga e elástica ela for, melhor. A cortiça favorece aos vinhos os quais chamamos “de guarda”, pois através de sua microporosidade, favorece a correta oxigenação do vinho, ao longo do tempo, tornando-o melhor à medida que envelhece, desde que corretamente armazenado, de forma inclinada.
Sintéticas – Surgiram no mercado à partir da década de 90. São mais baratas e permitem que o vinho seja armazenado de pé. De início, seu uso, causou indignação entre os puristas, porém sua utilização é ideal para os vinhos que não requerem guarda e são feitos para serem tomados jovens. Uma de suas grandes vantagens é a de não permitir a contaminação do vinho pelo TCA, a temida “tricloroanisola”, o fungo responsável pela sensação desagradável da qual falamos mais acima.
Screwcap – Mais conhecida entre nós por “tampa de rosca”, é utilizada na Austrália desde os anos 60 e vem conquistando o mercado a cada ano. Como a rolha sintética, é ideal para os vinhos que devem ser tomados jovens e sua utilização não compromete a qualidade do vinho, que também pode ser armazenado de pé. Tem baixo custo, é reciclável e não requer o uso de saca-rolhas.
Particularmente, não tenho preconceito contra nenhuma delas, porém, como amante do vinho, não abro mão do ritual que envolve tomar um bom vinho sacando a rolha, constatando sua qualidade, sorver o líquido com a “devoção necessária” e ainda, um hábito adquirido, guardar as rolhas em um grande de vidro, como a lembrança de um momento que muitas vezes precisa ser eternizado.
Que venha 2012 e com ele, muitos e saborosos vinhos para todos nós.


Publicado originalmente na Coluna "Vinhos & Afins"
05/01/2012 - De minha autoria

Santa Cruz do Capibaribe - PE
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