quarta-feira, 30 de maio de 2012

Recife: uma saída para o caos!



Amigas e amigos leitores!

Hoje, o blog abre espaço para um grande amigo Alexandre Stockler, que fala sobre um assunto de grande interesse de todos os que vivem e visitam a cidade de Recife e Região Metropolitana que, de resto, é um problema generalizado, quando temos governos preocupados com ações que não visam o bem-estar dos seus cidadãos, privilegiando interesses próprios, nem sempre "republicanos".

Com a palavra, o Alexandre!

**************
Nessa segunda-feira, 28 de maio de 2012, retornava de Maceió pela BR-101 e acabei chegando ao Recife naquele horário maravilhoso das 17:30h. Obviamente fiquei  preso na lentidão do trânsito logo ao chegar na região de Prazeres, em Jaboatão dos Guararapes. Levei  1 hora e 45 minutos para percorrer 20 Kms. (trecho reproduzido no mapa abaixo) sem nada além de uma leve chuva. Não vi nenhum acidente, carro quebrado ou algo extraordinário que justificasse aquele engarrafamento. Com isso, tive tempo suficiente para refletir sobre o que acontece diariamente nessa rodovia e escrever a presente coluna.





Em primeiro lugar, percebam a sutileza do termo “rodovia”. Há muito tempo a BR 101 na RMR (Região Metropolitana do Recife) deixou de ser uma rodovia para se tornar uma das 3 alternativas de ligação entre as Zonas Norte e Sul da RMR. Na prática, ela virou uma avenida por onde se deslocam além dos cerca de 4 milhões de habitantes da RMR, parte da carga que segue para Estados vizinhos.

                A falta de planejamento urbano das cidades, bem como o acelerado crescimento econômico acabaram por transfomar a BR 101 nessa grande avenida, que todos os dias apresenta congestionamentos em ambos os sentidos nos horários de pico. Hoje a situação é de caos total. Todavia, otimista que sou,  acredito que muita coisa pode ser feita para melhorar a situação e esse é o principal objetivo desse post.

                Mas antes, vou fazer um resumo, como usuário, do caos atual:

·         Pavimentação: No início do ano, foi realizada a recuperação asfáltica de uma boa parte do trecho assinalado. Entretanto, foi aplicada uma cobertura de cerca de 3 cm de asfalto sobre a base de concreto da rodovia. Não precisa ser nenhum engenheiro para afirmar que não duraria muito tempo.  E não durou. Com o início das chuvas, que ainda nem começaram para valer, e o trânsito intenso, os primeiros buracos já começam a reaparecer e o tráfego fica lento, além dos riscos e prejuízos decorrentes;

·         Sinalização: Finalmente, depois de anos, a rodovia foi sinalizada. Um grande progresso! Mas ela foi pintada sobre o asfalto que já está acabando... Logo, é questão de pouco tempo para não termos sinalização novamente. A sinalização vertical foi melhorada, mas ainda tem alguns pontos a desejar;

·         Retorno Absurdo: Existe um retorno que considero a maior vergonha em termos de rodovia que já vi em minha vida. Ele fica localizado em frente à Rapidão Cometa e dá acesso ao centro de Jaboatão dos Guararapes. Nessa região, foram construídos vários galpões que servem de sede para inúmeras empresas. Ali também fica o Centro de Distribuição do Wal-Mart. Não há nenhuma sinalização, como faixas pintadas nos asfalto, regulamentação ou organização. O resultado é uma grande confusão, com carros, caminhões, motos e ônibus cruzando as pistas de forma irresponsável. Acidentes ocorrem quase que diariamente, ajudando a travar ainda mais o trânsito, que reflete muitas vezes por vários Kms de lentidão. É muito tenso passar por esse pedaço da rodovia.




·         Carretas cruzando a pista: Como se não bastasse esse retorno, ainda existem mais dois muito caóticos logo à frente, para quem vai em direção à Zona Norte. Como o primeiro deles fica entre postos de parada de caminhoneiros, é comum ver carretas (vejam bem: CARRETAS) cruzando a pista. A própria foto do satélite mostra um pequeno congestionamento de carretas em frente ao maldito retorno.




·         Pedestres: Por todo o trecho é comum pedestres atravessando as pistas, em qualquer hora do dia ou da noite. As poucas passarelas existentes estão mal conservadas e são pouco utilizadas pela população, que prefere se arriscar a caminhar alguns metros a mais;

·         Acessos: Praticamente todas as saídas ou entradas na BR 101 foram pessimamente projetadas, como a saída / entrada para a Av. Norte nos dois sentidos e também o acesso para a Avenida Recife. Um desavisado que vier pela faixa da esquerda no sentido Jaboatão pode ir parar no Shopping Recife;

·         Radares: Por fim, foram instalados recentemente vários radares de velocidade com limite de 50 Km/h. Por precaução, os motoristas passam à 20 ou 30 Km/h em média. Ou seja, os radares contribuem para aumentar ainda mais a lentidão;

·         Fiscalização: Com certeza todo esse caos é agravado pela falta de fiscalização e orientação aos motoristas. É comum ver carros e motos cruzando os canteiros centrais em locais onde não há pista, veículos trafegando pelo acostamento e todo tipo de barbaridade que se possa imaginar. Aqui temos um pouco de falta de educação no trânsito associada a má conservação da rodovia;

No início do post, comentei sobre a possibilidade de melhorias. Está claro que o DNIT não tem capacidade técnica para administrar esse importante trecho de rodovia. Há muitos anos não são feitos investimentos em melhoria e a situação só piora a cada dia sem que nenhuma providência seja tomada.  A essa altura, me pergunto: Por que não privatizar a BR 101?

Teríamos de Abreu e Lima até Prazeres sob concessão, com 3 praças de pedágio de tarifa em torno de R$ 2 a R$ 3 para veículos e cobrança proporcional para motos, ônibus e caminhões.
O trecho em questão tem aproximadamente 32 Kms, conforme mapa abaixo:





As praças de pedágio estariam nas extremidades e no meio do trajeto, sendo uma em Abreu e Lima, próximo à saída para a PE-015 (em frente à Bombril), outra em Prazeres (em frente à Coca-Cola) e uma no meio da rodovia, na altura das saídas para a Av. Recife/BR-232. Em todos os casos, ao motorista que preferir “economizar” o dinheiro do pedágio, fica a alternativa de transitar por dentro da cidade. Seria necessário ainda restringir os caminhões de fazer o mesmo, liberando para tráfego pela cidade apenas aqueles que a ela se destinam.

Como contrapartidas, o contrato deveria ter:

·         Faixas Adicionais: Construção da terceira ou até quarta faixa em todo o trecho. Espaço existe junto ao canteiro central para ambos os lados, salvo em um pequeno pedaço entre a Caxangá e a Av. 17 de Agosto, que já possui 3 faixas. Já repararam como ali o trânsito flui melhor?

·         Pavimentação: Deverá ser pefeita, sem buracos, como ocorre com a grande parte das rodovias privatizadas no Brasil. Temos um exemplo aqui perto que é a Estrada do Côco, que liga Salvador ao litoral norte que é perfeita e privatizada;

·         Sinalização: Consevada tanto na horizontal quanto na vertical, com instalação dos “olhos de gato” para melhorar a visibilidade noturna e painíes luminosos informativos;

·         Câmeras: Instalação de câmeras de monitoramento do tráfego, possibilitando ao controle a retirada rápida de um veículo quebrado ou acidentado;

·         Socorro Emergencial: disponibilização de socorro médico e mecânico em toda área privatizada;

·         Viadutos: Acabar com os retornos absurdos e perigosos, construindo viadutos nos pontos mais críticos, como no caso de Prazeres. Com esse viaduto, poderiam ser fechados os retornos existentes adiante e acabaria grande parte do risco existente;

·         Conservação e Limpeza: O consórcio seria obrigado a manter o entorno da rodovia livre do lixo que hoje se acumula em vários pontos e também do mato e construções irregulares;

·         Passarelas: Construção de passarelas nos pontos mais críticos, com a colocação de alambrados nos canteiros centrais para evitar a travessia de pedestres, bicicletas e até motos;

·         Acessos: Correção de todos os acessos à rodovia, tornando-os mais seguros e sinalizados;

·         Radares: Sim, os radares podem e devem continuar! Mas teriam seus limites revistos para 70 ou 80 Km/h, pois uma vez que estamos em uma estrada segura, bem asfaltada, sinalizada e sem a travessia de pedestres, não seria necessário parar o trânsito com esse limite de 50 Km/h.

·         Fiscalização: Atuar forte com fiscalização. Não apenas a punitiva, com foco em arrecadar dinheiro, mas também a preventiva, com campanhas de segurança para os motoristas, motoqueiros e também para a população que vive no entorno da rodovia;

Entendo que a ideia possa ser impopular, pois a população já paga tantos impostos e teria que pagar mais uma taxa...

Para esses, tenho alguns argumentos:

Perder 1h 45m em um trecho que poderia facilmente ser percorido em 20-25 min. é inaceitável. Tempo é dinheiro, todos sabemos disso. Mas, se isso não convence, vamos pensar no prejuízo de um pneu estourado ou mesmo um acidente. Um pneu de carro popular custa cerca de R$ 150. Não é melhor pagar o pedágio? Se for um acidente, o pedágio está pago pelo ano todo. Se computarmos ainda o combustível que se gasta parado no trânsito, a conta fica cada vez mais interessante à favor da estrada de qualidade.

Por fim, para os que realmente não aceitam esses argumentos, sobra a alternativa de percorrer o trecho por dentro da cidade. Será que alguém faria essa opção?


Recife - PE






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