segunda-feira, 25 de junho de 2012

Salvem nossa Cultura!




Entende-se por "Música Nordestina" o que, corriquieramente se denomina por "Forró Pé-de-Serra", que define bem a origem de onde surgiu e se difundiu à partir de seus principais ritmos, como o xaxado, o xote, o rojão e, mais tarde, o baião, consagrado pelo maior cantor nordestino de todos os tempos, Luiz Gonzaga, que ganhou o epíteto de "Rei do Baião" e foi, há poucos anos atrás, escolhido como "o pernambucano do século" em escolha promovida nacionalmente por uma emissora de TV.

Os forrozeiros "pé-de-serra", passando por Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Trio Nordestino, Marinês, Abdias, Genival Lacerda, Jackson do Pandeiro e tantos outros que influenciaram com sua arte grandes artistas de projeção nacional e internacional, como Alceu Valença, Elba Ramalho, Geraldo Azevedo, Lenine, Herbert Lucena, Israel Filho, Petrúcio Amorim, Maciel Melo, apenas para citar alguns, que mantêm ainda viva a autêntica música nordestina. 

Nessa época junina seus nomes são referências e suas músicas enchem de alegria as festas e os ouvidos de quem as ouve. Sucessos impecáveis, musicalmente falando e também em suas letras; histórias do homem do campo e suas dificuldades; de seu cotidiano; de suas tristezas e dores; de amores; de família; de lugares…

Hoje, entretanto, lamentavelmente há uma proliferação comercial das assim definidas "bandas de forró", que de forró têm tanto o quanto eu tenho de europeu. São meras apostas comerciais das gravadoras, que, por trás de um forte esquema de divulgação onde os ditos "sucessos" são forjados, com temas grotescos, letras de gosto duvidoso. Atualmente a "onda" é a exploração de temas notadamente machistas, como "cachaça, rapariga, cabaré e gaia", esta última uma corruptela de "galha", sinônimo de "chifres". A grande maioria delas, tem por trás, apoio de políticos que, na verdade, são os donos dessas bandas.É deplorável submeter os ouvidos a esse tipo de distorção musical.

E aí vem o pior: Uma grande rede de TV promove todos os anos uma festa de dois dias, com venda de espaços publicitários, camarotes e ingressos a que chama de "Forró na Capitá", que de forró não tem nada. Este ano, como parte da organização, destinou um espaço, a que chamaram de tenda para o "forró pé-de-serra", como se esse fosse a excessão.

Não... Eu não quero "tchu", nem "tchá". Não quero misturas indigestas como "caviar com rapadura" nem a proliferação da sacanagem de "garota safada" e "calcinha preta".

Será que a sanha desenfreada por lucros vai acabar destruindo até nossas manifestações culturais mais genuínas?
Não matem a música nordestina! Não matem o autêntico forró!


Recife - PE
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