sexta-feira, 18 de abril de 2014

Cem anos de luto!


Ainda adolescente, fui apresentando à "Família Buendía", da imaginária cidade de Macondo.

Para mim, o mais gostoso da leitura são as "construções" que acontecem apenas na mente de quem está lendo a obra, das situações, dos personagens, das cidades, etc. Por muitas vezes evito assistir versões cinematográficas de uma boa obra, exatamente para não "desconstruir" o que minha mente produziu e que muitas vezes me motiva a reler a obra por duas ou mais vezes e fazer novas descobertas a cada nova releitura.

Assim foi a sensação ao ler "Cem Anos de Solidão" pela primeira vez e pelas vezes sucessivas. Tenho gravado na mente, a arvore genealógica daquele clã "Buendia-Iguaran". E ainda a imagem do José Arcadio e seus filhos e de sua Úrsula.

"Assumi o risco", por outro lado, com "Amor em tempos de cólera", ao assistir a versão em filme, o que só reforçou minha determinação em evitar de assistir, como falei antes. É impossível ao diretor, reconstruir todo o universo que vagueia pela mente do escritor, além de modificar sequências e detalhes que custam caro a quem "comeu" a obra original, ter que assistir. Soa mais ou menos, como a decepção de uma criança ao descobrir que "o bom velhinho, Papai Noel", não existe.

A terceira e última obra que li, foi o "Memórias de minhas putas tristes", onde viajei para o futuro e me vi aos 94 anos, sentindo uma "paixão adolescente".

Ontem o Gabriel se foi. Ainda não me sinto "íntimo" o suficiente para chamá-lo de "Gabo", seu apelido familiar. Mas igualmente aos que gozaram de sua intimidade, me sinto órfão. Porém, ao mesmo tempo, com a certeza, de que Gabriel será eterno através de suas obras. Por isso, sempre que uma perda dessas é imposta à sociedade, repito: o que é bom, nunca morre!

Gabriel, então, vive!


Recife - PE
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